segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Na moral... ou imoral?


OBSeRVAtóRIO BAtIStA
LOURENÇO STELIO REGA.
A ideia é bem interessante e instigante não fosse o apresentador implicitamente mobilizar o público presente a aplaudir alguma atitude compatível com os pressupostos do programa sobre determinado tema que está sendo lançado. 

Por exemplo, há alguns dias o programa foi sobre o casamento gay. 
Desde o começo o apresentador levava o público ao delírio quando trazia ao programa pessoas que viviam na condição ou relacionada com o casamento gay. 
Em outras palavras, em vez de levar o público presente e os telespectadores à reflexão os induzia a acreditar que a posição favorável ao casamento gay era a correta.
Na publicidade durante o dia o programa convida ao debate e à reflexão, mas nada disso faz, pois impinge, manipula e domina os telespectadores a acreditarem que a posição tão bem conhecida da emissora e dele são a pura e cristalina verdade. 
Não há discussão, não há especialistas que debatem os fundamentos do tema, que discutem os prós e contra.
Por exemplo, o fundamento que o programa se valeu para induzir o público de que o casamento gay é aceitável e correto foi a busca da felicidade. 
Um artista, protagonista do apresentador do programa, afirmou que a felicidade é um direito de todos e se a opção pela homossexualidade faz a pessoa feliz, nada há contra.
Ora, todo estudioso de Filosofia sabe da discussão e incertezas surgidas ao longo da história sobre o estabelecimento da felicidade como referencial de verdade ética e moral.
Se a felicidade é o referencial seguro da verdade ética, então o sadismo, masoquismo, pedofilia, corrupção,tráfico de drogas, homicídio poderiam ser justificáveis se seus praticantes alegassem que se sentem felizes com estas práticas. 
Vejam o absurdo.
Outro sofisma que o programa utiliza é taxar de preconceituoso todo mundo que discorda. 
Há uma distância muito grande entre preconceito e convicção e é isso que os “amantes” da homoafetividade não conseguem entender ou não querem aceitar. 
Por isso mesmo, eles é que podem ser considerados radicais, preconceituosos, autoritários. 
Estamos hoje vivendo a ditadura da imposição ética nietzschiana em que a “vontade de potência” como um 
vulcão deve ser o guia da verdade além do bem e do mal. 
Querem que todos abandonem suas convicções para se submeter às suas convicções. 
E é isso que o programa “Na moral” faz. Com essa manifesta dominação ideológica da emissora será que o que temos mesmo é uma atitude descaradamente imoral???
Fonte O jornal Batista Ano CXII Edição 35 Domingo, 26.08.2012

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